terça-feira, 27 de outubro de 2009

Apresentações

QUARTA (28/10/09) - Praia Grande das Artes - a partir das 20hrs na praça Nauro Machado no Projeto Reviver (Trecho do espetáculo pRe (s)Sente)
QUINTA(29/10/09) - Mostra Sesc Guajajaras Às 18hrs na praça Deodoro (Trecho do espetáculo pRe (s)Sente ). Praia Grande das Artes às 20hrs na praça Nauro Machado no Projeto Reviver (Coreografia Entre Laços)

Esperamos por você!

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

OS LIMITES DO CORPO E DA PERSONALIDADE: linhas reais ou imaginárias?



Considero impossível entender limite como um fim. Apesar de não raras vezes eu ter me comportado assim em vários campos da existência.
Hoje vejo que, no mínimo, limite deveria ser (ou é) apenas uma linha imaginária que separa o conhecido do desconhecido. Atravessá-la dá medo, afinal, como não temer o que nem se sabe o que é? Difícil. Porém não impossível.
O próprio fato de estar vivo, em minha opinião, deviria implicar em estar disponível às experiências que o meio tem a oferecer, obviamente tendo consciência e o discernimento do que pode se configurar negativo.
Mas voltando à questão primordial: os limites são reais ou imaginários? Em se tratando de corpo e personalidade, a primeira vista poder-se-ia dizer que ambos os adjetivos correspondem à realidade: podem se configurar reais ao tratar o corpo como seu objeto e podem ser imaginários quando se trata da personalidade. Porém é uma afirmação simplista demais.
Na tentativa de mergulhar o mais fundo possível nesta reflexão ouso afirmar que cada “situação-limite” compreende uma face real e outra imaginária. Na verdade a primeira reação diante de uma situação nova ou conflitante é pensar negativamente, (não sei ou não consigo), sem analisar até que ponto isto tem correspondência com a realidade, configura-se aí um limite imaginário imposto geralmente pela autoproteção. A face real do mesmo evento é quando se constata, após reflexão, que de fato aquele é um ponto de onde não se dá mais para avançar, por quaisquer motivos, sejam eles éticos ou físicos.
É necessário aprender a reconhecer quando o real parece imaginário e vice-versa e mais ainda discernir um limite temporário de um permanente. Afinal, nem tudo que é, é pra sempre. A maioria das coisas pode ser retificada, pois o futuro é uma construção que parte do presente se utilizando de elementos do passado.
Retornando aos motivos pelos quais não se ultrapassa um limite, destaco que eles variam de sujeito pra sujeito, não tem pra onde correr; não há como comparar. Tanto porque os corpos são diferentes quanto porque a bagagem psíquica também o é.
Ultrapassar essa linha depende de uma motivação que é muito pessoal, mesmo quando há colaboração de pessoas ou fatores externos, depende do próprio sujeito se dar conta, enxergar qual é o limite de fato e querer ir adiante e além dele.
Contextualizar os limites do sujeito na profissão em questão é um caminho duplamente sôfrego, tortuoso. Pois o ofício do bailarino comporta a atividade física e a arte, indissociavelmente. Porém antes de seguir com este raciocínio, compartilho as palavras de Ek:

“O que é a dança? Se alguém responder a essa pergunta não é uma pessoa confiável. Mas, de qualquer maneira, deixem-me tentar. A dança é pensar com o corpo. E será necessário pensar com o corpo? Talvez não para sobreviver, mas sim para viver. Há tantos pensamentos que apenas podem passar pelo corpo. Coisas como a paz poderão ser bem mais importantes que a dança, porém, precisamos da dança para celebrar a paz. E para exorcizar os demónio da guerra, tal como o fez Nijinsky. A anarquista, Emma Goldman, talvez o tenha dito da melhor maneira: não vale a pena lutar por uma revolução que não me permita dançar. O deus Shiva criou o universo com a sua dança. Mas a dança é o oposto de todas as pretensões divinas. A dança é uma eterna tentativa, tal como escrever na água. A dança não é a vida, mas mantém vivas todas as pequenas coisas que constituem a grande coisa.” (Mats Ek, coreógrafo sueco, filho de uma famosa coreógrafa, Brigit Cullberg. http://infinito-pessoal.blogspot.com/2007/04/o-que-dana.html)

“A dança é uma eterna tentativa” assim como viver. Todos os dias testamos nossos limites em todos os âmbitos da vida, pessoal e profissionalmente na tentativa de chegar onde precisamos ou queremos chegar. Por que dançando teria que ser diferente? Esta pergunta se torna mais capciosa quando lembramos que a encaramos como profissão. Saliento aqui a diferença colocada acima entre limite real e o imaginário: não defendo que deve-se somente ir a diante, é preciso ponderar, afinal os limites existem, o que precisamos fazer é reconhecê-los verdadeiramente e não sob uma falsa lente de aumento ou diminuição.
Por exemplo: a dor em si mesma não é limitadora, é um mecanismo de reconhecimento da amplitude de movimento de determinada parte do corpo. O que faz a diferença é como reagir à dor. Senti-la e suportá-la não é suficiente. Há que procurar suas causas, tratá-la e suplantá-la para novamente seguir em busca do movimento que ela impediu.
No campo subjetivo é mais difícil lidar com os limites, principalmente com os dos outros, pois corremos o risco de ser autoritários, egoístas ou incompreensíveis, então, mais do que nunca é importante a busca individual em ultrapassá-lo, principalmente em se tratando de um intérprete.
Segundo o dicionário Aurélio interpretar é “explicar, explanar ou aclarar o sentido de”. Como explicar através do movimento uma idéia (de um coreógrafo ou diretor) com a qual você não concorda? Fazemos isso em “pre (s)Sente”. Simples. Mas quando chegarmos à composição de “Corpos de tinta”, como lidar com idéias divergentes acerca do tabu e da sexualidade, que são temas mais delicados? Será possível dividir a personalidade sendo ético em relação aos seus valores, separadamente do profissional que obedece às necessidades do seu ofício?
Não acho que isto seja possível. Acho que a personalidade é uma só, ética em si mesma, e dialeticamente fiel a si mesma. Por isso considero que para ser um intérprete, é necessário ser (e não estar) desnudo, principalmente dos limites éticos a partir da visão dos outros. Ser liberto da propriedade do próprio corpo, pois este é um instrumento; é o canal principal por onde todos os signos (que são os movimentos) vão comunicar algo a alguém. No fundo é um “dispor-se a”. Em minha opinião é o mínimo que qualquer interpretação precisa, um ser disposto a mergulhar nela.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Olha eu de novo...

Senti necessidade, não de dizer porque já disse, ainda que em entrelinhas, de registrar afé que tenho em nós e em nosso trabalho.
No começo tive esperança de mais; depois esperança de menos. Hoje tenho apenas fé que tudo vai ser do jeito que tiver de ser e que continuarei tentando aproveitar o que vier da melhor forma possível.
Tomara que nossos sonhos se configurem reais, com aprovação em editais ou não, embora eu concorde que sem eles será tudo um pouco mais difícil...
Bjos a todos que lutam conosco!

domingo, 9 de agosto de 2009

Viver de dança



Ah, a dança!
Amada dança!
Quem me dera viver com, para e dela...
A cor que corre em minhas veias por vezes se perde e jorra invisível quando não há possibilidades de transfigurarme nela.
Pois não só me reconheço nela como sei que se reconhecem nela e no mundo através de mim.
Espero chegar o dia em que consigamos, nós e todos que quiserem, ser Mòbiles dispostos ao seu...

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

MEU PRESENTE

A minha história na criação de “pRE (s)Sente” se construiu a base de medos, indecisões e incerteza. Na verdade, o início de uma série de descobertas que me fizeram transformar meu modo de dança.
Ao começar a fazer aulas de tecido acrobático com Donny, meu corpo e minha mente se abriram a uma nova experiência. Conhecer pessoas, desenvolver capacidades, descobrir os meus limites e ir além deles...
Em janeiro de 2008, comecei a escutar rumores e conversas sobre a criação de um espetáculo de dança contemporânea baseado nas composições de Zeca Baleiro. Logo, me interessei muito. Sempre gostei do Zeca e de suas letras únicas.
Escutei convites, observei atitudes e pensava que realmente o espetáculo tinha tudo pra dar muito certo. Mas, a vontade de dançar junto, de participar dessa obra, de permanecer mais tempo com aquelas pessoas me fazia por muitas vezes ficar triste e desestimulada. Quando Donny me perguntou se eu não estaria disposta a participar, uma questão não antes percebida por mim veio à tona: será que eu sei dançar contemporâneo? Eu vou conseguir acompanhar esses bailarinos que durante muito tempo (praticamente toda a vida) se dedicaram e se desenvolveram nas técnicas do ballet, do contemporâneo, do jazz... Da dança?
Os ensaios começaram a base de empurrões e logo ganharam força total. Comecei a conhecer através da convivência meus amigos companheiros Donny, Odara, Lana, Denise e Milena, uns de modo mais rápido outros gradativamente. Percebi opiniões, vontades, qualidades e defeitos, acertos e erros, inclusive os meus, que antes nem tinha noção.
No crescimento de “pRE (s)Sente” desenvolvi qualidades, (tentei) destrui defeitos e conceitos pré estabelecidos, briguei, falei alto, escutei, dei palpite, chorei escondida, sofri pelo pé on dehor e ainda tento coordená-los na base certa. Enfim, observei sensações, expressei meus sentimentos de forma errada e correta, tentei entender opiniões, aceitar criticas e não me zangar muito.
Por ocasião de o tema solidão ser base das músicas de Zeca, tive que desenvolver uma atitude a esse sentimento. Logo eu, que não aprecio ficar só, quanto menos o silêncio, tive que tentar entender o que eu ia ter que colocar no corpo. Uma palavra, um sentimento tão intenso e que eu nem queria escutar falar. Discutir, pensar, refletir sobre a solidão me fez ampliar meu medo de ficar só e criar coragem para enfrentar meus medos foi uma das coisas mais sábias que fiz.
Inicialmente, a música que mais me chamou atenção foi Tem que acontecer, pela letra marcante e tocante que fala sobre diversos momentos da minha vida. Logo que escutei a frase “Se ninguém tem culpa não se tem condenação, se o que ficou de um grande amor é solidão” me senti extremamente abalada, pois nessa simples frase me encontrei e desenterrei sentimentos escondidos. Ela retrata exatamente o momento pelo qual eu passava nos últimos meses, e que me fazia necessitar de mais e mais carinho. Não sei se Skap me chamou mais atenção pelo fato de ser meu duo com Odara ou pela sua letra que representa a minha busca constante: alguém que me faça parecer menos sozinha, e ser alguém que torne uma pessoa menos só.
Enfim, sei que de “pRE (s)Sente” nasceu uma parte nova em mim, que me fez mudar (espero que pra melhor). Nasceu a Móblie, que amo; e nasceram amizades com pessoas tão lindas e significantes. Agradeço hoje e sempre pelo convite, a Donny e Odara. Espero que eu possa alcançar cada vez mais as expectativas que meus diretores têm. E obrigada pela oportunidade de perceber que eu consigo dançar contemporâneo!


Nathália Soares (NaThY)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

“Uma Nathy mais aberta a opiniões”


Depois de tantas semanas recebendo e esperando ansiosamente as cartas, enfim consigo lê-las todas e considerar seus pontos comuns, as diferenças e enxergar as minhas possibilidades de mudanças. Percebo nelas muito que eu não tinha noção, como a admiração e o amor na real proporção que eles existem. Apesar de considerar palavras apenas palavras, entendo que por trás delas existem atos e pensamentos concretos.
Considerando que Lana está certa ao afirmar que não aceito muito bem críticas, tentei (dei o máximo de mim) para entender e aceitar tudo que me foi dito, não pacificamente e não sem conflitos, pois não é meu estilo, mas pacientemente. Talvez eu tenha mesmo sido muitas vezes impulsiva e intempestiva, mas escutar que Odara (que é ODARA) me acha coerente é um assombro. Ainda bem que o sou para alguém.
Descobrir que a minha alegria, liberdade de espírito, vivacidade, altivez, entre outros é a felicidade e esperança de alguns me deixa muito feliz. Mostra-me uma realidade que em muitas ocasiões torno irreal, finjo ser assim pra esquecer os problemas e me adaptar as pessoas ou situações.
E na verdade, Denise, a chateação por minha vontade não ter sido aceita ou por ser cobrada por algo que deveria ter feito e não fiz é comigo mesma, pois muitas vezes quando percebo os sentimentos e vontades absurdos que sinto, me revolto e termino me isolando e me zangando. O que não consigo é falar. Talvez pelo que Donny me disse. Em grande parte das situações esqueço um pouco de mim, dou sem cobrar, só na esperança de receber do mesmo jeito, engulo minhas vontades. Assim, quando não sou atendida ou sou cobrada e entendo que estou errada, mesmo que eu tenha argumentos não consigo me defender ou argumentar, só me entristeço e me calo.
Sou assim e ponto. Preciso de amor e atenção mesmo, e sinto muita falta quando não acontece. Essa minha personalidade alegre é uma armadilha para eu conseguir isso. A lógica é: quem dá, recebe. Mas como isso nem sempre acontece me sinto muitas vezes sem amor, com uma necessidade de carinho tão grande que me apego à pessoa que estiver mais disposta, sem atentar para as intenções da mesma. E quando já estou “cheia”, enjôo. Largo. Jogo fora. Isso é ruim. Muito ruim, pois muitas vezes me torno egoísta e egocêntrica, achando que só eu preciso de carinho, mas Odara me explicou que necessidade de ser amada é pura realidade, é humano e talvez agora eu consiga olhar ainda mais para os outros que para mim.
Essa facilidade de apego e desapego é muuuito irreal. Quanto mais penso que é fácil maior a facilidade pra mim. Minha força de vontade em não me deixar apegar, muitas vezes (quase todas), fracassa. E sofro por isso. Escondida, mas sofro. Termino buscando na minha vida louca uma recuperação, não é Donny? Busco na intensidade de viver uma forma de me livrar da condição de dependência. Tu estás absolutamente certo; na minha solidão (aquela da qual fujo) estão escondidos meus medos, minhas fraquezas, meus transtornos e minhas dúvidas, e eles me fazem fraca, indecisa e medrosa, o que definitivamente não me atrai, então corro longe e corro rápido. Deixo-os trancados no meu quarto junto com as lágrimas não derramadas e os esqueço, como se nunca tivessem existido.
Enfim, espero que minha sabedoria não amadurecida sirva pra ajudar muito mais e para entender que o mundo não gira ao meu redor. Espero também conseguir sempre distribuir meu grande sorriso a todos que necessitem e gostem (e quem não gosta que vá catar coquinho) e que eu consiga viver e lutar cada vez mais em busca da felicidade.
Que eu tenha sempre forças para permitir a aproximação de novas amizades e grandes pessoas e que elas consigam se resgatar em mim. Que eu consiga ainda, crescer milímetros e que seja para meu bem e dos que estão ao meu redor. Que eu sempre saiba valorizar amizades tão belas.
E que vocês entendam a complexidade e amplitude de um simples obrigada de uma moça-menina que não cresceu muito, mas que se tornou brutinha.


“E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal de conseguiu fazer.” Lya Luft


Nathália Soares

Reanalisando tudo!

Ah, está tudo muito bagunçado na minha cabeça, acho que é o sono. Já é tão tarde. Acho que serei mais direta do que o normal.
Bom, é realmente muito interessante ver-me sob óticas tão diferentes, mas fico feliz que todos me percebam tão bem, até melhor do que eu mesma. De início achei extremamente difícil relatar minha irrealidades, talvez porque eu as tenham escondido tão bem que hoje tenho dificuldade em identificá-las.
Acho que minha irrealidade mais marcantes é o medo. Medo de tudo, medo do mundo. Talvez por isso Dede, você me ache tão sozinha. Às vezes me sinto bem assim, mas na maioria das vezes só quero colo. Tenho medo da solidão, mas mesmo assim não sei evitá-la, ela me consola. Você está certa, sou confusa. Nem mesmo eu compreendo minhas vontades. Afff, e é nesta confusão que eu "organizo" minha vida, mas não acho que eu compartimentalize tudo Odara, mas sim que tudo é muito misturado, oq ue reflete uma personalidade bipolar, instável. Daí quando estou muito sobrecarregada explodo com força máxima. Druoga, não sei lidar com isso, jamais o soube. Jamais consegui me sentir realmente segura em algo, para algo; sempre sobressai a preocupação, o medo, e para saná-los me vejo forjando situações, procurando motivos, cobrando-me ao extremo. Essa sou eu.
Quanto a meus caminhos na dança, não sei ao certo. Talvez você esteja certo Donny, talvez ela seja apenas um arco íris no meio da selva que a biologia representa em minha vida. Mas no fim do arco-íris não existe sempre um pote de ouro? Quem sabe um dia eu consiga chegar lá. Sempre disse à todos que me perguntavam, que a minha primeira opção diante de uma escolha, seria a biologia. Realmente amo meu curso, e sinto-me realizada nele. Talvez por ter chegado tão longe depois da dificuldade que encontrei ao cursá-lo. Mas o que seria da vida sem obstáculos, né?
Mas amo dançar, e não sei até que ponto minha primeira escolha prevalecerá. O que sei é que jamais serei feliz sem um dos dois, e não considero a idéia de separar de qualquer um deles de minha vida. Talvez hoje a dança seja mesmo algo irreal para mim, e talvez seja verdade que meus olhos não brilhem tanto por ela quanto outrora, mas isso tem outras razões, que são assunto para uma outra carta. Talvez estes sejam os motivos para minhas travas corporais, mas nem mesmo eu os sei ao certo.
Não acho que minha constante falta de tempo seja um mecanismo para sentir-me ou mostrar-me madura, este é realmente um problema real. Entenda, quando declaro não haver tempo refiro-me a não conseguir executar bem aquilo que faço: seja no ensaio, na gradução, no laboratório ou em minha vida pessoal (principalmente nesta). Não há tempo. Mas sim, tenho mecanismos para tentar mostrar-me madura, geralmente ele é falho, pois minha personalidade de menina sempre foi mais forte. Acho que por isso vivo numa luta constante comigo mesma. E você acha isso interessante Donny? Pra mim isto é uma tortura...afff. Enfim, geralmente quem ganha a guerra é "o ser madura", não porque eu o quero, mas porque é uamm exigência dos lugares onde estou, tornou-se quase inconsciente.
Por fim, preciso realmente falar da irrealidade de minha impessoalidade. Você está certo Donny, de novo. Uso da cientificidade para evitar mostrar-me demais, esta é minha melhor proteção, guardar-me. Como já disse, o medo guia meio modo de viver. Depois de tantas mágoas, traumas e decepções seguidas, não sei se realmente quero explodir em sentimentos. Falam em mostrar-me mais, lutar para sair desta situação, curar estes traumas, que eu serei mais feliz. Mas como?, eu pergunto, se quando faço uma tímida tentativa de msotrar-me, de senitr novamente, quando enfim começo a confiar e acreditar que será diferente, as bocas que me falam para libertar-me são as mesmas a levar-me a tal situação novamente. Não Nathy, não quero curar-me desta situação, não quero morrer na praia mais uma vez, e não vou deixar brechas para que meu mur de proteção seja trasnposto novamente, mas sim o reconstruirei mais alto e forte. Sei que serei mais feliz assim.
Talvez essa seja a minha grande satisfação em estar na biologia. Ela me equilibra, ao menos em parte, minha instabilidade emocional; sofro menos quando estou nela, frusto-me menos com ela.
Ah, minha cabeça dói, já está quase amanhecendo, mas tenho ainda forças para dizer mais algumas coisas. Obrigada! É basntante confortante saber que posso considerá-los amigos e que vocês aceitam-me com tantas irrealidades...defeitos...enfim. Sentirei muita falta de todos enquanto estiver distante, tanto por este mês, quanto aos anos que se seguirão. Mas o mundo dá voltas e provavelmente nos reencontraremos, em um momento melhor, sob outras condições, não é mesmo Denise?

Bem, sintão-se todos abraçados. Até a volta.


Lana Gabriela