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sexta-feira, 3 de julho de 2009

“Uma Nathy mais aberta a opiniões”


Depois de tantas semanas recebendo e esperando ansiosamente as cartas, enfim consigo lê-las todas e considerar seus pontos comuns, as diferenças e enxergar as minhas possibilidades de mudanças. Percebo nelas muito que eu não tinha noção, como a admiração e o amor na real proporção que eles existem. Apesar de considerar palavras apenas palavras, entendo que por trás delas existem atos e pensamentos concretos.
Considerando que Lana está certa ao afirmar que não aceito muito bem críticas, tentei (dei o máximo de mim) para entender e aceitar tudo que me foi dito, não pacificamente e não sem conflitos, pois não é meu estilo, mas pacientemente. Talvez eu tenha mesmo sido muitas vezes impulsiva e intempestiva, mas escutar que Odara (que é ODARA) me acha coerente é um assombro. Ainda bem que o sou para alguém.
Descobrir que a minha alegria, liberdade de espírito, vivacidade, altivez, entre outros é a felicidade e esperança de alguns me deixa muito feliz. Mostra-me uma realidade que em muitas ocasiões torno irreal, finjo ser assim pra esquecer os problemas e me adaptar as pessoas ou situações.
E na verdade, Denise, a chateação por minha vontade não ter sido aceita ou por ser cobrada por algo que deveria ter feito e não fiz é comigo mesma, pois muitas vezes quando percebo os sentimentos e vontades absurdos que sinto, me revolto e termino me isolando e me zangando. O que não consigo é falar. Talvez pelo que Donny me disse. Em grande parte das situações esqueço um pouco de mim, dou sem cobrar, só na esperança de receber do mesmo jeito, engulo minhas vontades. Assim, quando não sou atendida ou sou cobrada e entendo que estou errada, mesmo que eu tenha argumentos não consigo me defender ou argumentar, só me entristeço e me calo.
Sou assim e ponto. Preciso de amor e atenção mesmo, e sinto muita falta quando não acontece. Essa minha personalidade alegre é uma armadilha para eu conseguir isso. A lógica é: quem dá, recebe. Mas como isso nem sempre acontece me sinto muitas vezes sem amor, com uma necessidade de carinho tão grande que me apego à pessoa que estiver mais disposta, sem atentar para as intenções da mesma. E quando já estou “cheia”, enjôo. Largo. Jogo fora. Isso é ruim. Muito ruim, pois muitas vezes me torno egoísta e egocêntrica, achando que só eu preciso de carinho, mas Odara me explicou que necessidade de ser amada é pura realidade, é humano e talvez agora eu consiga olhar ainda mais para os outros que para mim.
Essa facilidade de apego e desapego é muuuito irreal. Quanto mais penso que é fácil maior a facilidade pra mim. Minha força de vontade em não me deixar apegar, muitas vezes (quase todas), fracassa. E sofro por isso. Escondida, mas sofro. Termino buscando na minha vida louca uma recuperação, não é Donny? Busco na intensidade de viver uma forma de me livrar da condição de dependência. Tu estás absolutamente certo; na minha solidão (aquela da qual fujo) estão escondidos meus medos, minhas fraquezas, meus transtornos e minhas dúvidas, e eles me fazem fraca, indecisa e medrosa, o que definitivamente não me atrai, então corro longe e corro rápido. Deixo-os trancados no meu quarto junto com as lágrimas não derramadas e os esqueço, como se nunca tivessem existido.
Enfim, espero que minha sabedoria não amadurecida sirva pra ajudar muito mais e para entender que o mundo não gira ao meu redor. Espero também conseguir sempre distribuir meu grande sorriso a todos que necessitem e gostem (e quem não gosta que vá catar coquinho) e que eu consiga viver e lutar cada vez mais em busca da felicidade.
Que eu tenha sempre forças para permitir a aproximação de novas amizades e grandes pessoas e que elas consigam se resgatar em mim. Que eu consiga ainda, crescer milímetros e que seja para meu bem e dos que estão ao meu redor. Que eu sempre saiba valorizar amizades tão belas.
E que vocês entendam a complexidade e amplitude de um simples obrigada de uma moça-menina que não cresceu muito, mas que se tornou brutinha.


“E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal de conseguiu fazer.” Lya Luft


Nathália Soares

Reanalisando tudo!

Ah, está tudo muito bagunçado na minha cabeça, acho que é o sono. Já é tão tarde. Acho que serei mais direta do que o normal.
Bom, é realmente muito interessante ver-me sob óticas tão diferentes, mas fico feliz que todos me percebam tão bem, até melhor do que eu mesma. De início achei extremamente difícil relatar minha irrealidades, talvez porque eu as tenham escondido tão bem que hoje tenho dificuldade em identificá-las.
Acho que minha irrealidade mais marcantes é o medo. Medo de tudo, medo do mundo. Talvez por isso Dede, você me ache tão sozinha. Às vezes me sinto bem assim, mas na maioria das vezes só quero colo. Tenho medo da solidão, mas mesmo assim não sei evitá-la, ela me consola. Você está certa, sou confusa. Nem mesmo eu compreendo minhas vontades. Afff, e é nesta confusão que eu "organizo" minha vida, mas não acho que eu compartimentalize tudo Odara, mas sim que tudo é muito misturado, oq ue reflete uma personalidade bipolar, instável. Daí quando estou muito sobrecarregada explodo com força máxima. Druoga, não sei lidar com isso, jamais o soube. Jamais consegui me sentir realmente segura em algo, para algo; sempre sobressai a preocupação, o medo, e para saná-los me vejo forjando situações, procurando motivos, cobrando-me ao extremo. Essa sou eu.
Quanto a meus caminhos na dança, não sei ao certo. Talvez você esteja certo Donny, talvez ela seja apenas um arco íris no meio da selva que a biologia representa em minha vida. Mas no fim do arco-íris não existe sempre um pote de ouro? Quem sabe um dia eu consiga chegar lá. Sempre disse à todos que me perguntavam, que a minha primeira opção diante de uma escolha, seria a biologia. Realmente amo meu curso, e sinto-me realizada nele. Talvez por ter chegado tão longe depois da dificuldade que encontrei ao cursá-lo. Mas o que seria da vida sem obstáculos, né?
Mas amo dançar, e não sei até que ponto minha primeira escolha prevalecerá. O que sei é que jamais serei feliz sem um dos dois, e não considero a idéia de separar de qualquer um deles de minha vida. Talvez hoje a dança seja mesmo algo irreal para mim, e talvez seja verdade que meus olhos não brilhem tanto por ela quanto outrora, mas isso tem outras razões, que são assunto para uma outra carta. Talvez estes sejam os motivos para minhas travas corporais, mas nem mesmo eu os sei ao certo.
Não acho que minha constante falta de tempo seja um mecanismo para sentir-me ou mostrar-me madura, este é realmente um problema real. Entenda, quando declaro não haver tempo refiro-me a não conseguir executar bem aquilo que faço: seja no ensaio, na gradução, no laboratório ou em minha vida pessoal (principalmente nesta). Não há tempo. Mas sim, tenho mecanismos para tentar mostrar-me madura, geralmente ele é falho, pois minha personalidade de menina sempre foi mais forte. Acho que por isso vivo numa luta constante comigo mesma. E você acha isso interessante Donny? Pra mim isto é uma tortura...afff. Enfim, geralmente quem ganha a guerra é "o ser madura", não porque eu o quero, mas porque é uamm exigência dos lugares onde estou, tornou-se quase inconsciente.
Por fim, preciso realmente falar da irrealidade de minha impessoalidade. Você está certo Donny, de novo. Uso da cientificidade para evitar mostrar-me demais, esta é minha melhor proteção, guardar-me. Como já disse, o medo guia meio modo de viver. Depois de tantas mágoas, traumas e decepções seguidas, não sei se realmente quero explodir em sentimentos. Falam em mostrar-me mais, lutar para sair desta situação, curar estes traumas, que eu serei mais feliz. Mas como?, eu pergunto, se quando faço uma tímida tentativa de msotrar-me, de senitr novamente, quando enfim começo a confiar e acreditar que será diferente, as bocas que me falam para libertar-me são as mesmas a levar-me a tal situação novamente. Não Nathy, não quero curar-me desta situação, não quero morrer na praia mais uma vez, e não vou deixar brechas para que meu mur de proteção seja trasnposto novamente, mas sim o reconstruirei mais alto e forte. Sei que serei mais feliz assim.
Talvez essa seja a minha grande satisfação em estar na biologia. Ela me equilibra, ao menos em parte, minha instabilidade emocional; sofro menos quando estou nela, frusto-me menos com ela.
Ah, minha cabeça dói, já está quase amanhecendo, mas tenho ainda forças para dizer mais algumas coisas. Obrigada! É basntante confortante saber que posso considerá-los amigos e que vocês aceitam-me com tantas irrealidades...defeitos...enfim. Sentirei muita falta de todos enquanto estiver distante, tanto por este mês, quanto aos anos que se seguirão. Mas o mundo dá voltas e provavelmente nos reencontraremos, em um momento melhor, sob outras condições, não é mesmo Denise?

Bem, sintão-se todos abraçados. Até a volta.


Lana Gabriela

terça-feira, 30 de junho de 2009

Para Nathália Soares De Donny dos Santos

Não posso explicar a cor estridente do papel, mas me utilizo dela para tua mais marcante irrealidade: a intensidade. Queres ser intensa sempre, forte, bruta, destemida, somos próximos nesse ponto. A solidão está por trás da ofuscante cor do amarelo, ela esconde tuas fraquezas, teus medos, teus transtornos. Me falas do teu quarto, das lágrimas e tudo mais, mas somente repõe tuas forças na vida louca, a serenidade não é teu remédio.
Mas o viver intensamente é a tua droga.
Não controlas, não dominas, não tem as rédeas das tuas próprias escolhas nas mãos. Tu só queres amor, nada mais. Tua intensidade parece a de um fumante que retira o próprio filtro do cigarro para melhor sentir o gosto. Precisas lambuzar-se, experimentar de forma máxima tudo. Porém, aquilo que te trás força e afasta-te do repouso de um leito encharcado fere-te. Machuca-te para curar-te, só não sei em que proporção andam as coisas, espero que cure mais do que machuque.
Você oferece o que quer recerber, e não expõe isso, não cobra dos que a rodeiam. Eu aprendi a cobrar. Considero irreal quando dizes o contrário, penso que engole seco tuas vontades.
É irreal também a facilidade do apego e desapego, penso que esse último é muito difícil para ti. Preocupo-me também com sua repentina vontade de estabilidade devido aos incômodos familiares, isto pode ,mudar drasticamente teus rumos.
Há escondido em você uma fruta madura. Melhor, parece que o caroço amadureceu mas a carne continua verde, o que faz com que tuas verdades sejam irrenerentes. Digo isto porque em meu último momento de necessidade, fostes aquele que me falou as palavras mais sábias. Talvez estaja na hora de amadurecer a carne, pois ela recebe os impactos da vida e trnsmite para o nosso interior, se este está mais velho abala nossas estruturas.
Não cresça dentro de si apenas, por mais que pareça impossível crescer por fora (pode rir do trocadilho, mas reflita sobre a piada), alguns poucos centímetros podem fazer muita diferença.
Esteja bem e reflita cuidadosamente,
Donny dos Santos.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Para Lana Gabriela

Não sei se me alegro ou se me entristeço por considerá-la uma das pessoas mais irreais que conheço. Digo isso pelos aspectos positivos e negativos que encontro em tua irrealidade, a qual se parece fazer de forma tão plena no cotidiano nosso.
Começo pelo verde do papel que representa a biologia, sua vida. A meu ver, é irreal teus caminhos na dança, são incertos e inseguros, por mais que haja em ti caracteres de exímia bailarina. Embora seja onde podes te libertar e sentir-se bem, não é o lugar que te regozija e fortalece.
Para explicar melhor, fala da irrealidade existente em tanatas declarações faladas e ouvidas acerca da dança em sua vida. Seus olhos brilham ao falar do verde, mas não brilham para a multiplicidade de cores propostas pela dança. Já traçaste a facão teu caminho pela selva e, com muito pesar afirmo isso, a dança será um arco íris momentâneo que nunca pode-se alcançar plenamente.
Ainda a falar de dança, tuas travas corporais para novas movimentações que não o balé não se devem a ele. Particularmente, é irreal o caráter extremamente clássico que seu corpo mostra ter. São nítidos os resquícios técnicos, mas não são eles as razões únicas e absolutas para tirar a liberdade que seu corpo pode ter. Há motivos desconhecidos até por você mesma que te impedem de brilhar mais na dança.
Além, é inevitável falar da irrealidade que vejo em tua ausência de tempo ou motivos para cuidar de si, numa eterna tentativa de nunca tê-lo, como se houvesse a necessidade de um eterno vazio sempre a ser preenchido. Só pelo fato de tempo ser imaterial e moldável às nossas necessidades é que penso no exagero que existe ao falar que pode ser totalmente preenchido. Para mim, é irreal em ti o mostrar-se eternamente ocupada, paara parece-me um mecanismo de fazer-se madura, ou mostrar-se madura.
Te vejo como uma menina que quer ser mulher cedo demais. É difícil ser as duas coisas ao mesmo tempo, e você é de uma maneira um tanto bagunçada.
Mas isso dá-lhe um aspecto interessante, uma luta interna a ser responsável e o querer jogar tudo pro ar, este último geralemnete muito reprimido, o que não permite que tenha mais momentos felizes.
Para finalizar, preciso falar da irrealidade da sua impessoalidade. Uma cientificidade que só serve como escudo para não correr o risco de mostrar-se demais. Há medo em expor-se. Há medo devido a uma personalidade que foi atingida e fragmentada por traumas passados e presentes. Há medo em ser o que quer ser. Há medo em explodir sentimentos. Há medo.
Podes tornar mais real tais irrealidades, pois penso que não há necessidade de de esconder-se tanto. E você esconde-se se mostrando, querendo estar em tudo, vivendo tudso, sentindo o que todos sentem e, às vezes, afirma as mesmas coisas. E você esconde-se bem, mas não tão bem assim.
Esteja bem e reflita cuidadosamente.
Donny dos Santos

sábado, 27 de junho de 2009

Lana Gabriela ... por Odara

"Guardo minha insastifação como guardo as outras coisas, até a hora que explodo."
"Minhas irrealidades são mascaradas".
Falas como se tua fragilidade fosse sinônimo de irrealidade. Por que? Porque a bióloga pensa assim...Mas todos nãoo temos nossas fragilidades? Nem por isso somos todos irreais. Acho que gostarias que ser frágil fosse irreal, porém tenho quase certeza de que não é, pra ninguém.
Sinto em ti uma necessidade de ser diferente. No entanto (desculpa, amiga), és comum, igual a todo mundo. Tua carência, teu ciúme, mesmo entre amigas é "normal" já que todo mundo sente, porém tu (inconscientemente, acho) vive isto com mais intensidade. Tu te faz acreditar que...só tu é assim, que é teu jeito e que tuas necessidades devem ser supridas. Acho qye às vezes tens que ver isto com outros olhos, os olhos dos outros, para deixar de se vitimizar.
Acho legal tua mente que compartimentaliza tudo, organiza em gavetas, até os sentimentos (ilusoriamente, pois eles não são pedaões de matéria). tu pensas que guarda, mas se explode quando tens demais é porque não podes guardar.
Acho que seria muito bom que encontrasses uma forma de não tentar guardar essas insatisfações, porém de demonstrá-las com cuidado. É dificil, sei. Mas o que nessa vida e nesse mundo louco não é? Penso que serias mais feliz se conseguisse lidar bem com isso... Falo por experiência própria...
Quanto as irrealidades serem mascaradas...Quais não são? entendo irrealidades enquanto coisas froa da ordem natural, do padrão, posso afirmar que ninguém quer. Mas todos têm. E se tem e nãoquerem ter, fingem que não tem ou escondem...
Nâo precisa buscar ou forjar coisas para se sentir especial, diferente, merecedora de bônus. Sua iteligência, ânimo (quando estás bem), alegria (quando não está de tpm), expressividade e força de vontade, já te fazem mais que ESPECIAL e merecedora de nosso carinho e compreensão.
Deves estar decepcionada comigo por eu ter apontado tantos...tantas..aff, entende. Porém foi pra te mostar que apesar de toda tua inconstância e momentos chatos, TE AMO! Pelo que tu é. Só sugiro algumas coisas que acho que vão te fazer mais feliz.
De verdade, te adoro como bailarina, porém vejo em teus atos que queres mais a biologia, e sugiro-te refletir sobre isso para que ande pelo caminho que quiser andar, DE VERDADE. Assume tua profissão, a que desejares, mas sede fiel a teus anseios mais profundos para que não te frustes e te lamente no futuro (afinal se lamentar faz parte de tua personalidade srsrsrsrrsr).
Fica zangada comigo, não. Sabes que te adoro pra cacilda e não vai mudar se tu te decidires (enfim) e assumires (enfim) que queres te dedicar a biologia....
Te amooooooooooooo!!!!!

Odara

quarta-feira, 24 de junho de 2009

De Denise para Lana

Nos conhecemos à tanto tempo, mas ainda não tinha escrito nada sobre você. Quem diria que nos encontraríamos de novo e o que é melhor, para dançar, sendo que agora é uma dança diferente daquela que iniciamos.
Vejo que só agora te conheço mais um pouco, pois temos e passamos mais tempo juntas como se fosse um outro mundo, um companheirismo sem igual. Você parece às vezes tão sozinha, como se alguma coisa estivesse faltando, percebo uma certa carência em seus olhos; algumas vezes mostra um ciuminho em relação as outras pessoas. Lembro-me daquela reunião que você estava chateada, foi péssimo, não sei o que aconteceu mas acho que toda aquela situação poderia ter sido evitada, mas não te censuro por isso. Cada um tem seu momento, talvez você não estava no melhor dia.
Às vezes venho a pensar que você é um pedaço de elástico disfarçado de gente. Observo sempre quando dança e acho que você é muito expressiva, com um corpo cheio de possibilidades, gosto muito de ti pelo que és: decidida e corre atrás do que quer.
Há momentos que você parece confusa, ou eu que não te entendo direito?
Dona de um abraço maravilhoso e que está sempre disposta a dar a quem o quiser receber. Carinhosa, companheira, simplesmente Lana, envolve a todos com teu jeitinho ora forte, or indefeso, mas com uma certeza do que quer realmente admirável. Muita sorte no caminho que escolheste e tenha certeza que o melhor estará esperando por ti.
Muito sucesso minha linda!!!
Denise dos Anjos

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Para Nathy: de Lana

Ai, ainda estou muito tonta de sono, nunca dancei tanto boi na minha vida rsrsrrsrs. Já pensei em começar e já comecei tantas vezes esta carta, li e reli, mas ainda não sei exatamente por começar. Talvez pelo início, né? Nathy, minha amiguinha, nos conhecemos há tão pouco tempo e às vezes eu acho que a gente já se conhece há anos-luz. Lembro-me com muito carinho daquelas tardes que a gente passava fazendo aula de tecido, só nós duas, quando a gente saia da aula correndo pra UFMA, ou quando saia da UFMA depois da sinuca correndo pra aula, ou quando você fazia eu sair da biologia pra ir pro núcleo de esportes em plena 12:30h... fazíamos fofoca a tarde toda, lembra? Acho que foi a melhor época pra mim. Mas dentre todos aqueles dias maravilhosos, entre namoros arranjados e aulas de sinuca que eram um desastre (Lacônico que o diga), o que dia que jamais sairá da minha cabeça foi aquela tarde com Ronaldo. Uma tarde inteira olhando pro horizonte, pensando na vida, batendo foto, jogando adedonha e correndo pra pegar ônibus, lembra? rsrsrrsrsrsrsr.
E já vai fazer um ano que nos conhecemos, né? Você passou um tempo afastada...eu passei um tempo afastada...talvez pelas mesmas razões...mudamos muito em tão pouco tempo, mas fico feliz que aquela amizade do início tenha se mantido tão firme até então.
Porém, hoje vejo você de uma forma diferente, talvez hoje eu consiga perceber mais você. Sei que és tão parecida internamente comigo que chega a ser cômico (principalmente quando o assunto é bater fotos), com uma “pequena” diferença, você consegue aflorar tudo o que sente, o que te incomoda e o que te agrada, e isto foi pra mim, foi mais difícil de aceitar no começo. Bem, a intenção não é falar sobre mim, mas convenhamos que não é muito fácil falar de você.
Ah Nathy, minha brutinha favorita, já vi você muitas vezes revoltada com o mundo, na maioria das vezes porque seus pais não deixam você sair; ou porque aquele encontro não deu certo; ou porque você não consegue fazer um passo no ensaio (e fica parecida com uma minhoca no piche quente rsrsrsrrsrsrsr). Mas me admira muito ver que tudo isso só serve para você tentar até conseguir, insistir sempre, e sempre com este seu jeitinho de criança, brincando e sorrindo, e que acaba contagiando a todos nós.
Às vezes, até parece mesmo uma criança, mimada e birrenta, que necessita de atenção constante de tudo e de todos, não mede esforços para que isso aconteça e não aceita críticas quando estas lhes são apresentadas. Mas é com esta mesma forma infantil que demonstra seu carinho a todos nós, e seu ciúme também (olha quem fala, né?), e que tanto nos cativa.
Você que é uma pessoa tão dada (por favor, interprete da melhor forma), sempre disposta a ouvir (e ninguém melhor do que eu para afirmar isso) e principalmente a ajudar.
Uma pequena pessoa, que quer englobar o mundo, que gosta de viver a vida profundamente e não mede esforços para tal, fazendo disto não um estilo de vida, mas uma necessidade.
Oh meu anjo, não tem como eu descrever aqui tudo o que eu gostaria (nunca fui boa escritora), e nem acho que não há combinações de palavras o suficiente para explicar – te, ou a nossa amizade. Só espero que daqui a 10, 20, 30 ou 40 anos, quando já estivermos velhinhas, ainda sejamos amigas e você ainda conserve esta sua alma tão jovem, que é uma grande dádiva.


PS: A carta é colorida porque você é alegre!!!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Para Nathália Soares - De Denise dos Anjos; O irreal nos outros: Nathy

Pensando em quem poderia falar veio você em minha cabeça, e logo lembrei de algo que gosto muito de ver: o seu grande sorriso, grande mesmo. Ás vezes demonstra ser adulta, mas a vejo como uma menina alegre e festeira. No início eu me perguntava quem é essa moça extrovertida e que ás vezes fala alto, ficava te observando nos ensaios pequenina mais com tanta força, o que admiro.
Aos poucos fui te conhecendo e percebendo as suas caracteristicas, um coração maravilhoso mas ás vezes não entendo algumas reações e atitudes suas, quando chatea por sua vontade não ser feita ou quando é cobrada por algo que deveria ter feito. Admiro a coragem que você tem sempre em assumir quando erra, apesar de as vezes demorar a fazer, odeio quando você fica brava e acaba não falando com ninguém, sinceramente acho que você não fica bonita quando está assim.
Falar de você não é uma tarefa fácil, te conheço a pouco tempo, mas o suficiente para dizer que gosto muito de você, Nathy. Precisa de atenção e acho que sente falta disso por parte das outras pessoas. Enquanto bailarina o que me vem a cabeça é o seu pézinho en dehor que é abençoado mesmo fazendo com que você leve algumas broncas.
Menina, mulher ou talvez moça-menina, uma moça cheia de força que cativa a todos com seu jeito alegre ás vezes explosivo, uma pessoa decidida sobre o que quer, um pouco impaciente o que não é tão estranho, busque sempre o melhor e na hora certo o melhor virá.
Denise dos Anjos
São Luís, 17 de junho de 2009
*Esta carta feita por Denise dos Anjos para Nathália Soares faz parte da pesquisa do espetáculo "Corpos de Tinta"

Para Odara Freitas: de Denise dos Anjos

São Luís, 08/06/2009

O irreal no outro

Hoje parei para pensar especialmente em uma pessoa, é a escolhida foi você, é você mesmo. É Odara falar de você provavelmente não será uma tarefa tão fácil, pois nunca conhecemos totalmente o outro, mas posso falar do que eu conheço. Moça de personalidade forte na maioria das vezes fala o que vem a cabeça sem pensar em como as outras pessoas reagirão às suas palavras, olhando por um lado isso pode ser bom, pois saberemos o que você pensa, por outro pode acabar machucando outros que talvez não estejam preparados para te escutar.
A sua persistência principalmente quando acha que tem razão é admirável, tem sempre um bom argumento pra tudo, em alguns momentos é pouco tolerante e acaba se chateando rápido, o que às vezes é muito chato pois o clima fica estranho e quer saber? você é muito mais bonita sorrindo. Falando nisso é interessante lembrar o quanto animada você é, uma energia só, parece que vai explodir de tanta animação, em outras palavras, criatividade é o que não te falta.
Meio criança, meio mãe, meio adulta totalmente mulher parece reunir um pouquinho de tudo, e que sempre se apresenta conforme a necessidade, além de tudo isso ainda encontra tempo pra dançar, falando nisso tem um corpo muito expressivo e quando se trata de dança consegue fazer poesia com o próprio corpo.
Pessoa de uma disponibilidade para ajudar sem tamanho, até me levou ao hospital, ops! Acho que não precisava lembrar disso, droooooga!
Diante de algumas estranhezas e etc e tal, um ser forte que eu gosto muito, que sempre oferece ensinamentos a quem busca aprender e provavelmente sua persistência e teimosia tenham te permitido alcances e conquistas, mas lembre que é isso que vale a pena, pois o importante não é chegar no fim do caminho, e sim como se fez para chegar nele, a cada passo uma nova lição, é de pouquinho a pouquinho que se constrói uma história.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Para Odara Freitas: de Lana Gabriela

Goiânia, 05 de junho de 2009.


Minha cara amiguinha,

Não sei bem o que escrever nesta carta. Acabei de almoçar apressadamente em uma cidade chamada Gurupi, são 14 horas e eu resolvi escrever-lhe estas poucas palavras antes de começar a estudar.
Bom, a viagem está sendo muito boa, apenas um pouco cansativa. Afff, de São Luís até Goiânia são 32 horas, mas as pessoas que estão indo são legais e por isso está sendo muito agradável.
Passamos a manhã inteira brincando de mímica e a noite passada cantando música sertaneja (afinal temos que entrar no clima da cidade né? rsrsrs)... lembrei muito de vocês (Você, Nathy, Denise e Donny). Aliás, tenho pensado muito em todos nós desde a noite passada (houve um acidente na estrada e eu não consegui dormir)...Sinto muitas saudades. Gostaria de ter me despedido melhor e já tive vontade de nem ter vindo, mas admito que estou também ansiosa pelo início do congresso. Dizem que lá está 5º C. Ahhhhhhhhhhhhhhh.
Desde de segunda - feira já sabia quem seria a pessoa a quem destinaria a minha primeira carta: VOCÊ. Talvez por ser a pessoa com quem mais me identifico no grupo e que hoje posso afirmar que encontra-se num grupo que amigos meus que jamais esquecerei.
Acho que este tempo afastada serviu para avaliar melhor cada um de nós. Dara, vejo você como uma pessoa extremamente lutadora, de uma personalidade incrível e que me parece nunca desistir de seu objetivo, seja ele qual for.
Lembro-me com bastante nitidez (mais do que eu gostaria até) daquele show de Zeca Baleiro. De como você me disse que montaria um espetáculo com suas músicas, e daí surgiu o pRes(s)Sente. Naquele momento confesso, jamais me passou pela cabeça que este trabalho ganharia a amplitude que ganhou, nem que eu fosse vivenciá-lo de tal forma, e muito menos que ele seria o responsável por hoje, eu estar escrevendo esta carta. Acho que enganei-me quando pensei que não daria certo, e que você estava esperando demais de um grupo que nunca havia trabalhado junto. Mas isso define tão claramente você, que imagina algo que parece irreal e que consegue de algum modo transforma-lo em realidade e no final nem parece que haveria alguma chance de dar errado.
Mesmo com esse poder, eu vejo você como uma pessoa frágil, e sei que neste percurso de correr atrás de objetivos tiveram vezes que você, não achou que não daria certo, mas achou talvez que não tivesse força para continuar mantendo-se firme e a todos nós. Mas, mesmo assim você o fez.
Vejo em você uma pessoa extremamente preocupada com todos nós, como uma mãe. Sempre disposta a ouvir, sempre arrumando formas de nos manter confiantes e dispostos (seja levando comida, seja dando broncas, que são palavras duras (verdades - afinal você não é baú, não é mesmo?), mas que precisam ser ditas para o bem de todos nós.
Apesar de não deixar transparecer nada (ou ao menos tentar) sei que existe uma Odara frágil dentro de você, e que assim como toda mulher necessita de carinho e atenção (apesar de ser bem discreta com relação a isso, ou talvez eu a conheça muito pouco ainda para detectar).
No mais, sem mais nada a falar, só posso agradecer. Agradecer por todas as conversas, pelas roupas (rsrsrrs acho que vou precisar) e pela amizade (principalmente por esta). Enfim, obrigada por sanares a maior parte de minha solidão. Ela é tão grande!!!!
Abraços e beijos. Saudosamente Lana Gabriela.

sábado, 13 de junho de 2009

Para Nathália Soares; de Odara Freitas

Quarta, 03 de junho de 2009, 03:34
Estou acordada porque Iraminha tá tossindo muito... dei água, dei chá e agora ela dorme. Eu... talvez não consiga agora. Porque a insônia me acometeu, me pus a perguntar a mim mesma por que me reconheço em ti, se somos, aparentemente, tão diferentes.
Não começarei pelo princípio. Isso não parece com você. No entando és coerente. Espero conseguir ser.
Descobri que, assim como você (você falou!), a busca e a necessidade de ser e sentir-se amada te levam a certas coisas (que a outra Nat até tenta evitar, ás vezes). Eu também sou assim, mas não tinha consciência. A vontade que as pessoas te amem como você é, por descobirem o que tens de mais valioso e especial... Talvez retorne a esse assunto adiante.
Também me pego fazendo coisas para os outros. Na maioria das vezes eu gosto muito, a exceção é quando não sou reconhecida, quando meus esforços não são... vistos, lembrados e "devolvidos".
Mais do que todos, nossa amizade foi construida, porque APRENDI a te aceitar e te amar como és: aberta, VIVA, "dada" e amorosa.
Já te disse que as primeiras vezes que estive na tua presença o sentimento foi de muito estranhamento: quem é esta criatura que fala alto e o que quer? Tão diferente de mim. Calorosa, expansiva, extrovertida, alegre e cheia de vida... No início te aceitei apenas, tentando conviver, tentando encontrar formas de te respeitar. Tô com fome... Tomei nescau...
Agora sei que o que me incomodava em ti é a liberdade do teu espírito, a vivacidade, a altivez e a segurança que eu não tinha.
Hoje, que somos próximas e por isso compreendo-te mais, vejo que teu irreal é mais comum do que imaginas. Todos temos necessidade imensa de sermos e sentir-mo-nos amados. Porém poucos tem a coragem de admitir isso com todas as letras. E coragem é algo que está tatuado em você. Não só por tua "brutalidade" (que também admiro), mas pela força em fazer o que quer e/ou de alguma forma lutar por isso.
Não sei se estou sendo suficientemente clara. É que o sono voltou ja que Iraminha parou de tossir.
Manhã chuvosa, fria, nublada. Muito diferente de ti. Muito igual a mim. Passei a ser assim depois que engravidei (mas isso é outra história; e longa). Antes também era como você (até os 16 anos). Hoje me conheces com alguns momentos legais por causa do Casarão e de vocês.
No princípio de tudo, Nat era só um nome, um fantasma, de quem todos falavam e comentavam mas eu nunca via. O que falavam? Estórias apenas, do que acontecia... Então eras muito irreal, abstrata, porque não te sabia como agora.
Lembro de um dos primeiros encontros: ias apresentar na calourada de Educação Física, no Circo da Cidade. Te vi passar, indo banhar (tinhas acabado de acordar); vi Binho pintar uma camisa (eu acho que é a mesma que tu usas). Aí saiste com aquele macaquinho mínimo, mas muito bonita, como sempre. Demorei uns dias ainda pra saber que aquele "pequeninhinha" era a famosa Nat.
Quando começamos a ensaiar pRE (s)Sente é que comecei realmente a ver que tu existias, pois te via ali quase todos os dias. Passe uns dias muito travada, observando, analisando... Depois que senti segurança me soltei um pouco mais. Daí correu tudos mais naturalmente.
Pensando sobre ti, descobri muito sobre mim. Lembrei do que fui um dia: alegre, disposta, confiante, amada por muitos, ativa... Porém fui impelida a mudar radicalmente. Em plena adolescência passei a ser mulher e algumas coisas ficaram incompletas... Hoje em dia, depois de cinco anos, consigo administrar melhor esses meus dois lados.
Tua permissão em aproximar-me de ti me ajudou a resgatar coisas boas perdidas em algum lugar de mim. Te agradeço por isso.
Confesso que o estranhemento incial tinha um pouco de inveja, mas a transformei em algo produtivo: esforço para absorver de ti o que me fazia te invejar. Ainda hoje (admiro e não mais invejo); tento me espelhar em tua força e coragem, "brutalidade", amabilidade, alegria e esperança.
Hoje conto muito contigo como digo que podes contar comigo para o que necessitares. Desejo-te a felicidade que quiseres pra ti, sempre e no que eu puder ajudar...
*Na carta tem o poema AMAR de Carlos Drummond de Andrade e logo após...

Espectra
O amor que exala de ti
Não é so esse que Drummond canta
Vai bem além do que qualquer um pode ver.
Porque és como a aurora para os que na noite vivem
Enquanto és também a própria noite se preciso.
Em qualquer algum lugar
Sempre és toda a presença
Da vida que vale a pena ser vivida
Ainda que não compreendida sejas.
O sol que trazes contigo é capaz de
Mais que qualquer força
Trincar as mais sombrias moradas
Como fora a minha, e que
Também por tua companhia
Se desfez.
Posso afirmar que não há o que abale teu calor.
Tampouco o que ofusque teu explendor.
Porque enquanto tu, tu mesma fores
Haverão dias a raiar ao teu redor.
Odara Freitas
*Essa carta feita de Odara Freitas para Nathália Soares faz parte da pesquisa do espetáculo "Corpos de Tinta".